sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

PMs de São Paulo são presos suspeitos de roubar caixas eletrônicos

Três homens, sendo dois policiais militares, foram presos sob suspeita de envolvimento com uma quadrilha que explodia e roubava caixas eletrônicos, em São Paulo, na noite da última segunda-feira. A investigação, que envolveu a Corregedoria da Polícia Militar e o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), começou em abril. Segundo o Deic, os policiais presos monitoravam a comunicação do rádio da PM durante as ações da quadrilha e avisavam os comparsas para que fugissem antes da chegada da polícia. A quadrilha também roubava casas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Levantamento do GLOBO mostra que soldados e sargentos da PM têm carrões de até R$ 102 mil

RIO — Se fosse usada como parâmetro para avaliar a remuneração na Polícia Militar, a frota particular estacionada em pátios ou nos arredores de batalhões colocaria em xeque a retórica dos baixos salários. Isso porque não faltam veículos caros — alguns de luxo, com valor de mercado em torno de R$ 100 mil — em nome de sargentos e até mesmo de soldados. O GLOBO visitou, ao longo de uma semana, unidades da PM no Centro e em bairros das zonas Sul, Norte e Oeste, e checou a propriedade de vários carros. O levantamento foi passado à Secretaria estadual de Segurança, que, este ano, abriu sindicâncias para apurar o patrimônio de cerca de cem policiais.
Com salários de R$ 2,3 mil e R$ 4 mil, respectivamente, soldados e sargentos podem ser vistos dirigindo modelos que custam até 43 vezes o valor de seus vencimentos, como os utilitários Hyundai Santa Fé e Honda CR-V EXL e as caminhonetes Amarok CD High e Nissan Frontier, com tração 4x4. Veículos assim costumam parar em frente aos batalhões de Botafogo, Bangu e, principalmente, Rocha Miranda.
UMA MÁQUINA QUE VALE MAIS R$ 100 MIL
É no 9º BPM (Rocha Miranda) que está lotado um sargento proprietário de um Hyundai Azera 3.0 V6 ano 2013. O carrão, de acordo com a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) custa pelo menos R$ 102 mil. Na madrugada do último dia 20, um outro sargento do mesmo batalhão invadiu, de arma em punho, um depósito da Secretaria municipal de Ordem Pública para recuperar sua picape Toyota Hilux ano 2006, que havia sido rebocada. O veículo está avaliado em aproximadamente R$ 62 mil.



Hyundai Azera
O endereço que consta no registro de propriedade do Hyundai Azera fica na Rua Tacaratu, quase em frente ao 9º BPM. A casa informada no documento, contudo, não serve de moradia. O imóvel tem finalidade comercial — nele, é possível comprar cestas básicas ou alugar mesas e cadeiras para festas. Em um telefonema para a casa, um homem que atendeu a ligação questionou se o sargento estava sendo investigado pela equipe de reportagem e desligou em seguida.

SEM PREOCUPAÇÃO COM MULTAS
Muitas vezes, faltam vagas na Rua Tacaratu para tantos carros de PMs. Por isso, é fácil encontrar automóveis parados em fila dupla, como aconteceu no último dia 25. Sem se preocupar com multas, um sargento do 9º BPM ocupou parte da pista para estacionar sua picape cabine dupla Mitsubishi L 200 Triton 3.2 ano 2010, avaliada em R$ 80 mil. Com um detalhe: uma carreta para transporte de motocicletas estava acoplada ao veículo.
Como tem sido difícil estacionar em frente ao 9º BPM, alguns policiais param seus carros a aproximadamente 50 metros da entrada do batalhão, na esquina da Rua Tacaratu com a Estrada do Sapê. Ali, também no último dia 25, um soldado conseguiu parar sua SUV Hyundai Santa Fé V6, ano 2008 e com preço médio de R$ 52 mil, sob a sombra de uma amendoeira. Um colega da mesma patente não teve tanta sorte: seu Kia Cerato 2011, estimado em R$ 41 mil, ficou ao sol.



Soldado e sua SUV
Já um soldado do 16º BPM (Bangu) não precisa procurar vaga na rua: ele costuma parar sua Renault Duster 16 D, fabricada este ano e com valor de mercado entre R$ 49 mil e R$ 62 mil (segundo a Fipe), no estacionamento interno do batalhão. Em setembro, a unidade foi um dos alvos da Operação Amigos S.A., que, deflagrada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e pelo Ministério Público estadual, levou à prisão 26 policiais, incluindo seis oficiais.




No 16º BPM, o gosto por carrões não parece ser algo limitado a praças e sargentos. Investigações revelaram que, poucas semanas antes da realização da Amigos S.A., um major trocou um Citröen Pallas avaliado em R$ 65 mil por uma picape Dodge Journey que custou R$ 120 mil. Hoje, três meses depois da operação, veículos caros voltaram a ocupar as vagas que ficam no interior e em frente ao batalhão. Na lista de possantes, a marca Toyota figura entre as favoritas e foi a escolhida por um sargento, que dirige pelo pátio um modelo Corolla 2013 de quase R$ 70 mil.

AUTOMÓVEIS EM NOME DE TERCEIROS
Dimensionar a frota de luxo dos PMs não é tarefa fácil. Os muros altos de vários batalhões dificultam a visão dos veículos parados nas áreas internas. Porém, muitos não se preocupam em esconder seu patrimônio. É o caso de um soldado do 16º BPM (Olaria), que tem vaga cativa na Rua Jorge Martins para sua SUV Honda CR-V 2008, cujo preço médio é R$ 54 mil.
Outro obstáculo para investigadores é a grande quantidade de veículos registrados em nome de parentes, principalmente mulheres dos policiais. Um sargento do Batalhão de Choque, por exemplo, é casado com a proprietária de uma caminhonete Amarok CD 4x4 High ano 2012, avaliada em R$ 102 mil. Por sua vez, um policial do 2º BPM (Botafogo) tem o hábito de dirigir a SUV Dodge Jouney SXT 2009 da companheira. O carro está cotado em R$ 56 mil.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, desde o início do ano, a Corregedoria-Geral Unificada (CGU) apura cerca de cem casos de suposta incompatibilidade entre salários e bens acumulados por PMs. O órgão informa que os sinais de riqueza mais comuns são justamente veículos, seguidos de imóveis. Ainda segundo a secretaria, o sargento do 16º BPM que dirige um Toyota Corolla já está sendo investigado pela CGU.
A Polícia Militar destaca que, em cada batalhão, há uma comissão — composta pelo subcomandante, por outros três oficiais e por integrantes do setor de inteligência — encarregada de investigar supostos casos de enriquecimento ilícito na tropa. “Essa análise é checada com os bens declarados no Imposto de Renda. Caso ocorra alguma irregularidade, os comandantes enviam a investigação para a Corregedoria da PM, que remete os documentos à CGU, para que a sindicância patrimonial seja instaurada’’, diz uma nota da corporação.
A PM informa também que o salário-base de um soldado é R$ 2.326,54 e de um cabo, R$ 2.679,74. Os vencimentos de um sargento variam de R$ 3.132,58 a R$ 4.070,85. A corporação ressalta que a renda pode aumentar de acordo com triênios, gratificações, cursos e outros benefícios. O GLOBO fez pedidos aos batalhões da Polícia Militar citados nesta reportagem para ouvir os proprietários dos veículos, mas não obteve respostas do comando dessas unidades.

Fonte http://oglobo.globo.com/

sábado, 18 de outubro de 2014

Desmantelado 'balcão de negócios' de PMs na Ilha do Governador - RJ

Operação Ave de Rapina prendeu dezesseis policiais militares acusados de sequestrar traficantes, roubar ouro e vender fuzis que deveriam ser apreendidos

Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
Fachada da casa do acusado, tenente-coronel Dayzer Corpas Maciel
Fachada da casa do acusado, tenente-coronel Dayzer Corpas Maciel (O Dia)
A subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (Ssinte) começou a desmantelar na manhã desta quinta-feira um dos maiores e mais longevos esquemas de propinas do Rio de Janeiro envolvendo policiais e traficantes. Na última década, a Ilha do Governador transformou-se num oásis de corrupção, em que dois criminosos passaram a comandar não apenas as favelas onde ficam entrincheirados sob a proteção de centenas de fuzis mas praticamente todo o comércio do bairro de classe média da Zona Norte da cidade onde está instalado o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). Às 6 horas, a Operação Ave de Rapina prendeu dezesseis policiais militares do 17º BPM (Ilha), responsável pelo patrulhamento da região, entre eles o tenente-coronel Dayzer Corpas Maciel, que até anteontem comandava a unidade, mas que foi promovido no início da semana e transferido para o Comando de Policiamento Especializado (CPE), que coordena várias unidades da PM. Além das propinas, o grupo é acusado de sequestrar traficantes, roubar ouro e vender fuzis que deveriam ser apreendidos. Na denúncia, o Ministério Público trata o batalhão como um ‘balcão de negócios’ e afirma que, durante as investigações, ‘restaram demonstrados indícios de que inclusive integrantes do Estado Maior da PM, infelizmente, possui fortes vínculos com o tráfico da Ilha’.
Numa única ação, em 16 de março passado, o grupo extorquiu dois criminosos da Favela da Coreia (em Senador Camará, Zona Oeste). Eles estavam em uma reunião no Morro do Dendê, na Ilha, e foram abordados quando passavam pela Estrada do Galeão. As imagens de uma unidade da Aeronáutica filmou a ação. Cinco bandidos estavam dentro da Ecosport vermelha, que foi abordada pelos policiais. Após duas horas de negociação, apenas três deles foram levados para a delegacia e acabaram presos com 18 granadas, três pistolas e um fuzil. Os bandidos - Atileno Marques da Silva, o Palermo, e Rogério Vale Mendonça, o Belo - acabaram liberados: "Os PMs receberam 300 000 em espécie, desviaram três fuzis, que depois foram vendidos por 50 000 cada para o próprio Dendê, e joias. De tudo isso, 40 000 foram para o comandante do batalhão", afirmou o delegado Fábio Galvão, subsecretário de Inteligência. 
Naquela mesma noite, um dos policiais, o sargento Francisco Zilvano Fonteles, telefonou às 19h51 para a advogada da quadrilha, Rosângela Azevedo Gomes. Ela estava em Campo Grande, a quase 40 quilômetros de distância. A partir daí foram vários os contatos telefônicos, o último às 2h13, quando as antenas dos telefones celulares registravam a mesma antena, na Ilha do Governador, indicando um encontro pessoal. O pagamento foi feito com ajuda de bandidos da Coreia e do próprio Dendê. Os traficantes ficaram devendo uma parcela que foi paga meses mais tarde, mas a investigação, que teve apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), não conseguiu detectar quanto.
O caso foi revelado pelo site de VEJA, em abril. Na época, o coronel Corpas chegou a prender 14 PMs administrativamente. Um inquérito policial militar (IPM) foi instaurado, mas as investigações internas se encaminhavam para um desfecho brando, no qual somente soldados e cabos seriam punidos, livrando o comandante e o chefe do Serviço Reservado, tenente Vitor Mendes da Encarnação. “Recebemos uma denúncia de que estava havendo uma enorme pressão para que a investigação interna não desse em nada. E é por isso que tiramos a investigação de dentro do batalhão. É preciso investigar além das ruas, chegar nos níveis mais altos da corrupção”, afirmou Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, da 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar.
Os investigadores, mais uma vez, contaram com um depoimento de um policial para desmantelar o grupo. Os promotores e o delegado da Ssinte classificaram o homem como ‘colaborador premiado’. O sargento chegou a aparecer nas imagens durante a abordagem do carro com os traficantes, mas não concordou com a liberação de dois criminosos. Em seguida, ele acabou transferido para outro batalhão. Ouvido como testemunha dentro do inquérito, ele decidiu colaborar. E através do seu depoimento foi possível esclarecer cada passo da extorsão do dia 16 de março e como funciona o esquema de ‘mensalão’ do tráfico da Ilha.
As prisões de parte do batalhão responsável pela região acontecem dez meses depois de a edição de VEJA revelar um grande esquema de corrupção que custa cerca de 500 000 reais mensais aos chefes do tráfico local, Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, e Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil. A dupla coleciona mais de uma dezena de mandados de prisão, mas a fortuna gasta com agentes corruptos lhes mantém em liberdade desde 2003. Na denúncia, os promotores Claudio Calo, Cláucio Cardoso da Conceição e Paulo Roberto Mello Cunha Júnior descrevem essa relação promíscua: “É notório e público que o 17ºBPM não demonstra eficiência e interesse no combate ao tráfico e ao transporte alternativo”, e completam dizendo que Fernandinho Guarabu age como quer porque “(...) faz com que o bairro seja um fictício paraíso urbano para seus moradores, sem que haja a violência típica urbana, pois proíbe furtos, roubos e latrocínios, sob pena de seus autores serem condenados à morte”.
Durante o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão, mais cedo, os agentes encontraram, na casa do coronel Dayzer Corpas Maciel, documentos e notas fiscais que comprovam que a unidade militar comprava material de construção na loja de ferragens da esposa do comandante, que fica no mesmo bairro. O caso será enviado à Promotoria de Tutela Coletiva para que o militar seja investigado por improbidade administrativa. O caso escancara, mais uma vez, a corrupção em todas as esferas da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Há um mês, o coronel Alexandre Fontenelle, número 3 na hierarquia da corporação, foi preso acusado de comandar um esquema de extorsão na Zona Oeste. Apesar disso, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que o comandante geral José Luís Castro não será exonerado. “Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém, mas também não vamos tomar decisões antes do juízo”. A decisão pela mudança de comanda já foi tomada. Resta saber se a troca acontecerá antes ou depois do segundo turno da eleição.
Confira, abaixo, os vídeos da operação.
Os detidos Evanílson Ferreira Pinto e Rodrigo da Silva Alves são deitados no chão e os PMs conversam com os dois:
Após alguns minutos, os detidos Rogério Vale Mendonça e Atileno Marques da Silva são conduzidos em direção à viatura:
Rogério e Atileno são colocados no banco traseiro do veículo:



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Investigação aponta desvios milionários na rede de saúde da PM RJ

Dez contratos estão sendo auditados. Corporação adquiriu, por mais de R$ 4 milhões, 75 mil litros de ácido

ADRIANA CRUZ
Rio - O desvio de verba em um megaesquema de corrupção na compra de material médico-hospitalar para unidades da Polícia Militar é avaliado em no mínimo R$ 10 milhões. A corporação instaurou um  inquérito Policial Militar (IPM). Em paralelo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, também apura o rombo na área da saúde. Dez contratos estão sendo auditados. 
Como o blog Justiça e Cidadania publicou nesta terça com exclusividade, a corporação adquiriu, por mais de R$ 4 milhões, 75 mil litros de ácido peracético — usado para esterilizar material cirúrgico que não ia para o autoclave. O produto seria para o Hospital Central da Polícia Militar (HPM), no Estácio. 
A unidade não tem nem lugar para armazenar a grande quantidade. Para isso, seria necessário a utilização de cinco carros pipas ou 15 mil galões de cinco litros. No entanto, parte ínfima do ácido foi recebido. Há ainda a informação de que a compra foi feita este ano. Gerências de Enfermagem de dois hospitais de grande porte, um da Zona Sul, e outro em Niterói, afirmam que o uso de ácido peracético é obsoleto. 
Hospital da PM no Estácio receberia os 75 mil litros de ácido peracético, comprado pelas unidades
Foto:  Estefan Radovicz / Agência O Dia
Em nota oficial, a PM fez questão de ressaltar que a investigação começou na corporação com uma sindicância e que por haver indícios de crime foi aberto um IPM, na segunda-feira. O Inquérito está a cargo do coronel Wolney Dias, subordinado à Corregedoria da Polícia Militar. Há uma comissão que acompanha o caso. Porém, a Subsecretaria de Inteligência em parceria com o Gaeco apuram o caso em procedimento separado. Os maiores alvos são oficiais que atuaram no setores de compra e licitação, ligados à diretoria de logística. 
Uma auditoria no Hospital da PM em Niterói apura rombo de mais de R$ 3 milhões na compra de medicamentos. A investigação aponta ainda para falsificação de assinaturas em documentos para efetuar compras. Serão convocados para prestar depoimento, por exemplo, ex-responsáveis pelo Fundo de Saúde da Polícia Militar (Fuspom). 
Em nota, a PM explicou que o Fuspom banca a compra de material médico-hospitalar, além de rouparia. Para isso, há desconto de 10% do soldo do militar e de mais 1% para cada dependente. A corporação informou que não recebe dinheiro do Sistema Único de Saúde e que a fiscalização é feita por comissão gestoras composta só de oficiais.
Unidades atendem a cerca de 250 mil 
Pelo menos 250 mil pessoas — entre PMs ativos e inativos e seus dependentes — são atendidos pela rede de saúde da corporação. São dois hospitais, um no Rio, outro, em Niterói, além de policlínicas e centros especializados, como o de fisiatria. Segundo a PM, a prestação de contas é feita ao Tribunal de Contas do Estado. 
A investigação do megaesquema de corrupção é mais um escândalo envolvendo oficiais. Semana passada, o ex-comandante do 17º BPM (Ilha) coronel Dayzer Corpas foi preso acusado de recebimento de propina de traficantes.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Policial é preso acusado de desviar 81 armas da Polícia Militar do PR

Um policial militar foi preso acusado de desviar 81 armas da Policia Militar (PM) em Curitiba. Após uma investigação feita pela PM, a promotoria do Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu denúncia contra o policial. 

A promotoria suspeita que o soldado entregaria as armas para quadrilhas. Uma as armas foi apreendida em uma operação da PM no Sudoeste do Estado, em um assalto a caixas eletrônicos e a outra foi apreendida em um assalto à mão armada na Região Metropolitana de Curitiba.

O policial trabalhava no almoxarifado do comando regional da PM, em Curitiba, e foi preso preventivamente no dia 29 de agosto e encaminhado para o Batalhão de Polícia da Guarda, em Piraquara.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

MP começa a investigar comandante geral da Polícia Militar do Rio

RIO - Um dia depois do Corregedor-Geral das Polícias do Rio se negar a abrir sindicância para investigar a evolução patrimonial do comandante geral da Polícia Militar, coronel José Luis Castro Menezes, o Ministério Público (MP-RJ) anunciou que instaurou por conta própria investigação criminal militar sobre o PM e outros dois coronéis da cúpula da corporação. Em depoimento ao MP-RJ na semana passada, um dos 24 policiais presos na "Operação Amigos S.A." afirmou ter ouvido de oficiais presos na ação que todos os batalhões do Rio eram obrigados a pagar R$ 15 mil ao Estado-Maior da PM.
Segundo o MP-RJ, além do comandante estão sendo investigados o chefe do Estado-Maior Operacional, coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes, e o chefe do Estado-Maior Administrativo, coronel Ricardo Coutinho Pacheco. São os três cargos mais importantes na hierarquia da PM. 
O MP-RJ informou que também será analisado o envolvimento de outros PMs que tenham relação com o caso. A "Amigos S.A." desarticulou uma quadrilha que cobrava propina de comerciantes em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Dos 24 PMs, seis eram oficiais, entre eles o comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel Alexandre Fontenelle.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ, que foi parceiro da secretaria estadual de Segurança do Rio (Seseg) na operação, vai auxiliar na investigação dos três principais homens da PM. Ainda de acordo com o MP-RJ, a 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar decretou o sigilo dos autos e requisitará o inquérito policial militar que a Corregedoria informou ter instaurado.
Negativa. Nesta quarta-feira, o Corregedor-Geral das Polícias, desembargador Giuseppe Vitagliano, se negou a cumprir pedido do Ministério Público do Rio (MP-RJ) para que fosse aberta sindicância para investigar a evolução patrimonial do comandante. O corregedor afirmou que "não há, até o momento, elementos que fundamentem a instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar e de Sindicância Patrimonial contra o Comando e o Estado Maior da PM".
Em nota, o corregedor das polícias afirmou que "o procedimento encaminhado à Controladoria Geral Unificada foi baseado em cópias de reportagens jornalísticas". Segundo a secretaria estadual de Segurança, o corregedor enviou ofício ao Juízo da Vara Criminal de Bangu solicitando cópia do depoimento do PM e também da denúncia, "para fazer uma avaliação mais completa".

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Operação contra quadrilha de PMs prende 22 no RJ

Ao todo 25 mandados de prisão foram expedidos. Entre os presos está o chefe do Comando de Operações Especiais (COE) - 3º na hierarquia da PM no Estado

O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira no momento da prisão, nesta segunda
O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira no momento da prisão, nesta segunda (Pablo Jacob/Agência o Globo)
Atualizado às 14h00
Vinte e dois policiais militares foram presos na manhã desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, em uma operação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Corregedoria-Geral da Polícia Militar. A operação tem por objetivo desarticular uma quadrilha formada por pelo menos 24 PMs do 14° Batalhão (Bangu). Entre os presos está o coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, chefe do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, considerado o terceiro na hierarquia da corporação no Estado. A ação busca cumprir 25 mandados de prisão – 24 deles contra policiais militares, incluindo seis oficiais, além de 53 de busca e apreensão.
De acordo com o MP, a quadrilha era integrada por pelo menos 24 policiais militares. O bando exigia propina de comerciantes, mototaxistas, motoristas e cooperativas de vans, além de empresas transportadoras de cargas na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, os policiais, mediante pagamento, ignoravam o combate ao transporte irregular de passageiros em vans ou kombis – até mesmo o feito por veículos roubados ou com chassi adulterado. A quadrilha também liberava a atuação de empresas de transporte de mercadorias em situação irregular, assim como a venda, no comércio varejista, de produtos piratas. Após o pagamento, os comerciantes em situação irregular recebiam uma espécie de autorização oficiosa para continuidade de suas atividades.
Os mandados foram obtidos a partir de denúncia encaminhada pelo Gaeco à 1ª Vara Criminal de Bangu. Entre os denunciados estão seis oficiais que eram lotados no 14° BPM (Bangu): o ex-comandante coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira e o ex-subcomandante major Carlos Alexandre de Jesus Lucas – ambos lotados atualmente no Comando de Operações Especiais –, os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado). Também são acusados de integrar a quadrilha 18 praças e um civil.
A operação desta segunda é um desdobramento da Operação Compadre, deflagrada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do RJ em abril de 2013, quando 78 mandados de prisão foram expedidos, 53 deles contra policiais militares, para a desarticulação de uma quadrilha que realizava cobranças de propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas, em Bangu.
Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu pelo crime de associação criminosa armada, que não consta do Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os integrantes da quadrilha também serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão (praticados por funcionários públicos), que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual.
Fonte http://veja.abril.com.br/